Detesto esse povo que me
manda esquecer. Tô meio murcha porque minha rinite atacou e lá vem o
drama. “Tá triste, né querida? Eu sei, ele te usou, Mas não liga não.
Eles são assim mesmo, são todos iguais. Só estão a fim daquilo lá que
você sabe né. Você deve estar se sentindo péssima, eu sei, mas vai
passar, viu linda?”. É, tô me sentindo péssima, mas é com você
despejando mil e umas frases prontas que viu na internet e usa por aí
como se distribuísse conselhos excelentes. E não fica assim como? Com
esse olho cheio de lágrimas e essa cara de acabada? Eu fico acabada com
qualquer poeira. Qualquer filme me faz chorar. Fico acabada com o calor
que me deixa mole. E esse povo achando que eu tô sofrendo por homem.
Sabe, você sabe, eu odeio poeira. Eu odeio porque poeira me lembra tudo
que é velho. E tudo que é velho me lembra ele. Porque ele é velho. Velho
na minha vida. E eu não gosto de quem pára na estante do meu coração,
junta poeira, atrapalha todo o resto e não serve pra nada. Gosto da
casa, da pele, da vida, do coração limpo. Aliás, vivo muito melhor.
Depois que descobri que tinha alergia a ele, e que tudo que eu tinha que
fazer era limpar esse pó acumulado aqui dentro, ficou tudo mais fácil.
Agora não preciso mais de pessoas infelizes me dando conselhos sobre
como ser feliz. Agora vou mandar você se ferrar em pensamento e
responder que não é nada, é só minha rinite. E me deixa, que eu demoro
demais pra sacudir a poeira. Mas quando vou, passo feito furacão,
arrasto tudo, não penso mais em sorrisos, em vontades, em passado. Me
deixa, que eu tenho meu tempo. Fico anos dando murro em ponta de faca,
depois roubo a faca, te rasgo inteiro, e você só percebe quando começa a
sangrar. Não dou nem meia volta quando querem que eu dê a volta por
cima, mas de repente, o mundo gira, e eu que fui tanto tempo suja, tanto
tempo murcha, tanto tempo alérgica, agora vou ser caçadora. Feito
aquelas faxineiras que não sossegam enquanto não estiver tudo brilhando.
Caçadora, é. Mas sabe do que? Da minha felicidade. Do meu mundo
colorido que eu sempre sonhei. Dos dias de sol que respiro bem e sujeira
nenhuma afeta minha vida. É só esperar, hoje tô entupida,
congestionada, com o peito chiando, com a vida doendo. Amanhã tô
pulando, com a vida saltando dos olhos, com a garganta limpa pra poder
gritar alto que sou feliz. É, sou feliz. E apesar da minha alergia eu
sou alegria. Tá vendo como uma letra faz diferença na vida? É fácil ser
feliz. Basta fazer uma faxina de umas ou outras sujeiras que andam por
aí com pernas, braços, sorrisos e mentiras.
terça-feira, 31 de julho de 2012
sexta-feira, 20 de julho de 2012
Sorvete de limão
Nunca soube me entender com a vida muito bem. Sempre, sempre quis muito. Meu maior defeito era querer. Podia ter sorvete de uva, mas eu queria o de limão. E eu chupava uma, duas vezes e via que era amargo, e sabia lá no fundo da alma que era melhor o de uva, mas insistia, só pra não dar o braço a torcer. E chupava sem fazer cara feia, que era pra ninguém desconfiar. E sempre continuei querendo errado. O sorvete, os brinquedos, os amores, as dores, os porres. Sempre escolhendo o pior, sempre, sempre. E a vida falando no meu ouvido "Pelo amor de Deus, me escuta!", e eu nem aí pra vida, só muito aí pra mim, só muito atrás de ser feliz. Sempre assim, nunca soube esperar primavera, verão, outono, inverno. Não, eu corria, atropelava, arrastava tudo. E no verão tudo derretia, e no inverno tudo congelava. E nada dava certo. Não deixava a vida plantar, colher, regar, nascer. Eu queria pra ontem, eu tinha que ser feliz pra já. E correndo atrás da felicidade ela corria pra longe de mim. E querendo muito achar alguma coisa boa eu me perdia de tudo e ficava na merda. E nada, nada nunca dava certo. E de sorvete em sorvete, cresci, virei mulher, continuei correndo atrás do azedo. O azedo que virou homem. Com tantos outros doces, leves, calorosos, eu gostava do menino-limão. Do gosto ruim que era viver no amargo de agüentar o ácido e não ter nenhuma recompensa. E a vida dizia "muda, muda de foco, coloca açúcar, sacode essa sina!", e eu não escutava a vida. E eu tinha quinze anos, e depois dezessete, e depois quase vinte. E ainda continuava com a mesma birra. E se alguém perguntasse "Qual é o seu melhor gosto? Qual é o seu tipo? O que você quer pra vida?", eu respondia que gostava do tipo turrão, com cara de mau, com vida sofrida. Daqueles tipos morenos gostosinhos que enlouquecem metade do quarteirão, te azedam o dia, mas te tiram mil sorrisos, aí você perdoa. Daquela cara de cafajeste mimado assumido. Daquele corpo marronzinho se espalhando no seu cabelo loiro. Mas depois de um tempo você descobre que não adianta fechar os olhos e pensar "meu Deus, como eu queria esse azedume pra mim! Como eu queria te mudar, como eu queria ser sua, como eu queria te mostrar como um troféu e gritar pro mundo que venci, fisguei o morenão!" Mas sabe da maior? Ninguém muda ninguém, todo mundo já vem pronto pra somar, e só. E tentar se somar com outro é se diminuir cada vez mais. E se você achou azedo na primeira mordida não continua, não continua porque no fim da fruta não vai ficar doce do nada. E sua vida não muda do nada. A não ser que você deixe. Porque de repente, assim, de repente, mesmo que você não desconfie, a vida vem e começa a fazer mudanças. E você não entende merda nenhuma. E xinga a vida de ridícula porque do nada, meu Deus, do nada ela muda a rotina, do nada ela tira pessoas que você jamais imaginaria que fosse embora de perto de você, e traz pessoas, que meu Deus, você jamais imaginaria que fosse chegar, se aconchegar, se achegar, ficar, mudar, gostar. E você ainda continua pensando que é passageiro, que é só um gosto doce mais que jajá seu azedinho vai voltar. Mas não volta. E quando volta você tem ânsia, e descobre que se contentou com o horrível muito tempo. E descobre que de tanto você chupar azedo você acaba achando que é de azedo que você precisa. Porque se você comesse merda todo dia você iria achar que precisava de merda pra viver. E se você sonhasse todo dia com um morenão você ia achar que era de um morenão que você precisava pra ser feliz. Mas não, não é assim. Porque um dia vem um gosto bom, um sorriso aberto, uma felicidade limpa. E daí você percebe que a vida sabe muito mais da sua vida do que você. E aí você olha em volta e vê que sonhou a vida inteira com o impossível, fez birra de querer o que não pode, chorou por amar o que não têm. E sofre, e sofre, e sofre. Aí vem a vida e te dá, não o que você queria, mas o que era seu, por direito ou por destino, o que já estava planejado pra ser. E aí você ri, e ri, e ri. E não acredita que tudo, tudo que você desejou um dia, você não tem, e você acha engraçado. Porque sabe que o que você tem é melhor do que tudo que você já desejou. E aí você vê que Deus sabe o que faz. Que a vida sabe o que faz. Que você, você não sabe merda nenhuma. E que precisa parar de desejar tanto pra começar a aceitar o que a vida te dá de bandeja. E descobre que quando a gente insiste demais em uma coisa, e essa coisa não vem, é porque algo muito melhor já está reservado. E depois você enche a boca pra falar que tudo está doce. E aí você pensa, meu Deus, desejei um morenão, errado, azedo, mal-humorado e me vem um branquelo, certo, doce, com um humor de doer a barriga.E aí você descobre que o importante não é ter alguém pra te perguntar como foi o dia, mas sim ter alguém que faça seu dia ser feliz. Aí você vê que amar sem limites é papel pra Santa, e que você não precisa ter um amor incondicional pra ser imensamente feliz com um carinho bom. E aí você percebe que amava errado, queria errado, sonhava errado, pensava errado. E aí você muda, sabe que quer muito viver um amor, mas só se for pra ser amada também. Se for pra ser desejada também. Se aceitarem voar junto com você também. Pra que seja doce para os dois. Porque de azedo, já basta todo o resto. E porque gostar de alguém tem que ser doce, senão perde todo o gosto. E no meio dessa plantação de azedo e doce, você se vê feliz. E agradece por nada ser como você sonhou. Por ser melhor. E lê numa traseira de caminhão que a felicidade é incerta. E uma menininha te olha e diz "não tem de limão, pode ser de uva?". E você respira fundo. Aceita o que a vida quer te dar dessa vez. E não, não estou falando de sorvetes..
segunda-feira, 16 de julho de 2012
Eu sou um mulherão!
Peça para um homem descrever um mulherão. Ele imediatamente vai falar no
tamanho dos seios, na medida da cintura, nas pernas, bumbum. Vão dizer
que tem que ser loira, 1,80 m, siliconada. Agora, pergunte para uma
mulher o que ela considera um mulherão e você vai descobrir que tem uma
em cada esquina… Mulherão é aquela que pega dois ônibus para ir ao
trabalho e mais dois para voltar e, quando chega em casa, encontra um
tanque lotado de roupa e uma família morta de fome. Mulherão é aquela
que vai de madrugada para a fila garantir matrícula na escola e aquela
aposentada que passa horas em pé na fila do banco para buscar uma pensão
de R$ 100,00. Mulherão é a empresária que administra dezenas de
funcionários de segunda a sexta e uma família todos os dias da semana.
Mulherão é quem volta do supermercado segurando várias sacolas depois de
ter pesquisado preços e feito malabarismo com o orçamento. Mulherão é
aquela que se depila, que passa cremes, que se maquia, que faz dietas,
que malha, que usa salto alto, meia-calça, ajeita o cabelo e se perfuma,
mesmo sem nenhum convite para ser capa de revista. Mulherão é quem leva
os filhos na escola, busca os filhos na escola, leva os filhos na
natação, busca os filhos na natação, leva os filhos para a cama, conta
histórias, dá um beijo e apaga a luz. Mulherão é aquela mãe de
adolescente que não dorme enquanto ele não chega. é quem, de manhã bem
cedo, já está de pé, esquentando o leite. Mulherão é quem leciona em
troca de um salário mínimo, é quem faz serviços voluntários, é quem
colhe uva, é quem opera pacientes, é quem lava a roupa para fora, é quem
bota a mesa, cozinha o feijão e, à tarde, trabalha atrás de balcão.
Mulherão é quem cria os filhos sozinha, é quem dá expediente de 8 horas e
enfrenta menopausa, TPM e menstruação. Mulherão é quem arruma os
armários, coloca flores nos vasos, fecha a cortina para o sol não
desbotar os móveis, mantém a geladeira cheia e os cinzeiros vazios.
Mulherão é quem sabe onde cada coisa está, o que cada filho sente e qual
o melhor remédio para azia.
terça-feira, 26 de junho de 2012
You learn to love again
Posso dizer que desde o meu primeiro desejo de "Feliz Aniversário" para o desejo de hoje, eu mudei. Fiquei mais fria, fiquei mais forte, fiquei mais esperta, mais atenta... Afinal, aprendi a não desistir dos meus objetivos. Disseram que eu sou guerreira não é ?
Mas mais interessantes que as minhas mudanças, são as suas mudanças e QUANTAS são e como não ser capaz de adorar todas (ou quase todas )? E a forma que você me tira dos eixos mesmo sem perceber com esse humor irônico e ar debochado que meu Deus, como me irrita.
Tanta coisa para escrever, mas ele já sabe de tudo, essa é só uma forma de deixar registrado em algum canto o quanto esse dia é importante e poder reler sempre que eu quiser e eu não vejo a hora de terminar isso correndo e poder mandar pra ele ler, afinal isso é pra ele, só pra ele, até a dor nos meus dedinhos rs
O que eu desejo a você hoje ? Desejo que você sonhe. Sonhe com aquilo que você quiser. Vá para
onde você queira ir. Seja o que você quer ser, porque você possui apenas
uma vida e nela só temos uma chance de fazer aquilo que queremos. Tenha
felicidade bastante para fazê-la doce. Dificuldades para fazê-la forte.
Tristeza para fazê-la humana. E esperança suficiente para fazê-la
feliz. As pessoas mais felizes não têm as melhores coisas. Elas sabem
fazer o melhor das oportunidades que aparecem em seus caminhos. A
felicidade aparece para aqueles que choram. Para aqueles que se
machucam. Para aqueles que buscam e tentam sempre. E para aqueles que
reconhecem a importância das pessoas que passam por suas vidas. O futuro
mais brilhante é baseado num passado intensamente vivido. Você só terá
sucesso na vida quando perdoar os erros e as decepções do passado. A
vida é curta, mas as emoções que podemos deixar, duram um a eternidade. A
vida não é de se brincar porque em pleno dia se morre. Aproveita teu dia! Feliz Aniversário e eu absolutamente, adoro você!sexta-feira, 15 de junho de 2012
Eu até poderia
escrever um texto sobre você, poderia citar nele algumas qualidades suas, poderia dizer nele o quanto o sexo contigo é maravilhoso... Poderia começar o texto falando como minha risada é gostosa com você, esse texto poderia ter um longo parágrafo explicando a sensação deliciosa que foi andar de mãos dadas com você depois de anos. Certamente o texto também teria um generoso espaço para as pelúcias. Mas no meio da ideia de escrever esse texto me surgiu que eu posso escrever um falando sobre como o sexo com outros caras também pode ser maravilhoso, posso falar que se eu me esforçar e parar de procurar você em outras pessoas, minha risada também pode ser gostosa com elas, posso escrever um texto citando os caras que se orgulharam de andar de mãos dadas comigo e eu erroneamente desprezei, mas viver é isso, o passado não volta mas tem outros esperando com a mão estendida pra mim. Eu poderia fazer um texto contando o quanto você pode ser inseguro, e que as vezes pode ser um charme mas decidi fazer um sobre o cara que me passa segurança e tá ali só esperando a oportunidade certa de me conquistar. Eu decidi fazer um texto que fale sobre o presente e o futuro, e quando eu decidi isso, vi que as pelucias deveriam sair da prateleira e dar espaço pro novo. Eu até poderia falar do passado, mas o presente é mais gostoso e o futuro nem se fala... Eu poderia fazer um texto relatando todas as minhas mágoas e decepções, mas prefiro ficar com o alivio, com a sensação de dever cumprido. Eu poderia dizer que te quero agora, mas não seria de todo uma verdade, já que agora eu quero que você aprenda. Eu até poderia dizer que te amo, mas isso seria no passado, então apenas se cuida.
sexta-feira, 20 de abril de 2012
Mal Passado
Viver é uma eterna comparação do que se viveu de melhor com o que se vive de pior. Comparamos sempre involuntariamente. Se hoje vamos a uma praia qualquer sentimos saudades da praia mais quente e mais vislumbrante que visitamos. Se comemos de um feijão preto absolutamente normal aparece uma pequena decepção de não estar mais degustando aquele feijão carioquinha, fresco. Nunca iremos viver o que já vivemos. O intocável permite que alguns momentos sejam eternos. Se é palpável, é humano. Se é humano nem é tão bom. Por isso o Michael Jackson é estrela. Por que era intocável. Por isso Paris é uma cidade a ser conhecida, por ser distante. Por isso o invisível amor de ontem é muito mais amor que o amor de hoje. Até que se prove o contrário andar de charrete era mais divertido. Mas vem sempre alguém sorrindo demais mostrando que a felicidade de hoje é a plenitude perfeita de amanhã. Não existe uma fita a ser rebubinada. Hoje é dvd. Não existe um guaraná mais gostoso. Hoje é refresco de caixinha. Não existe falta de proteção. Hoje é camisinha feminina. Não existe mulher zero kilometro. Hoje é "do passado eu não sei". Não existe um passado melhor. Hoje é viver. Não existe uma verdade maldita. Hoje é você.
terça-feira, 10 de abril de 2012
quarta-feira, 21 de março de 2012
Clichê
Faça da cena da sua vida inesquecível. E se não o for, tente denovo. Tente outra vez. Vá lá, faça. Seja o diretor. Mande e desmande em si. Mas em toda cena o filme tem de ser notório, uma arte. O amor cínico do Woody Allen e a voraz e sensual tomada do Pedro Almodóvar. Mas tem de ser a todo o instante. A dedicação pela glória individual, onipresente e silenciosa.
Faça da próxima cena da sua vida uma coisa melhor. A atuação é verdadeira, encare de frente o personagem mais difícil da vida de qualquer um. Encare o prazer irretocável de ser você mesmo, nesse clichê teatral e empoeirado. Vale tentar. Vale mesmo, acredite. E se não conseguir, tente denovo.
Tente sempre, novamente. Porque só faz bem quem faz com vontade, só faz direito quem erra primeiro. Errar não é nada ruim. A alma de quem erra é mais bonita, é mais real do que a alma de quem não erra. É mais forte a casca batida que a pela cremosa e alinhada. Vai logo, que tem uma hora que a cena acaba. Vai querer chorar no final do filme?
Faça da próxima cena da sua vida uma coisa melhor. A atuação é verdadeira, encare de frente o personagem mais difícil da vida de qualquer um. Encare o prazer irretocável de ser você mesmo, nesse clichê teatral e empoeirado. Vale tentar. Vale mesmo, acredite. E se não conseguir, tente denovo.
Tente sempre, novamente. Porque só faz bem quem faz com vontade, só faz direito quem erra primeiro. Errar não é nada ruim. A alma de quem erra é mais bonita, é mais real do que a alma de quem não erra. É mais forte a casca batida que a pela cremosa e alinhada. Vai logo, que tem uma hora que a cena acaba. Vai querer chorar no final do filme?
quarta-feira, 14 de março de 2012
Recheio
Tenho seriamente pensado em reverter as coisas dentro de mim. Viver da mesma água até o fim da vida é rotina assassina. Vou, cansada, ser uma. Vou, extasiada, ser outra. Vou, embebedada e drogada, ser mais outra. Vou me mascarar de várias faces de mim.
Não é crise de personalidade. Sou eu num todo. Contudo penso no meu filho... Não quero assustá-lo com mais de duas de mim.
Para ele terei que ser uma até que cresça e se entenda como gente recheada. Exatamente como eu. Ou não...
Antes e depois, tantas. Durante, uma.
Descomunal dor de cabeça.
O prazer de me ser é fenomenal.
"Quando me amei de verdade comecei a me livrar de tudo que não fosse saudável... Pessoas, tarefas, tudo e qualquer coisa que me pusesse para baixo. De início minha razão chamou essa atitude de egoísmo. Hoje sei que se chama... Amor-próprio."
Charles Chaplin
quarta-feira, 7 de março de 2012
Ser feliz por nada
Benditos os que conseguem se deixar em paz. Os que não se cobram por não terem cumprido suas resoluções, que não se culpam por terem falhado, não se torturam por terem sido contraditórios, não se punem por não terem sido perfeitos. Apenas fazem o melhor que podem. Se é para ser mestre em alguma coisa, então que sejamos mestres em nos libertar da patrulha do pensamento. De querer se adequar à sociedade e ao mesmo tempo ser livre. Adequação e liberdade simultaneamente? É uma senhora ambição. Demanda a energia de uma usina. Para que se consumir tanto? A vida não é um questionário de Proust. Você não precisa ter que responder ao mundo quais são suas qualidades, sua cor preferida, seu prato favorito, que bicho seria. Que mania de se autoconhecer. Chega de se autoconhecer. Você é o que é, um imperfeito bem-intencionado e que muda de opinião sem a menor culpa. Ser feliz por nada talvez seja isso.
Martha Medeiros, no livro “Ser feliz por nada”
terça-feira, 6 de março de 2012
E foi assim
E foi assim que eu, finalmente, voltei pra única pessoa no mundo que nunca me abandonou ou desmereceu: eu mesma. Foi desse jeito meio torto, meio bruto que eu voltei pra mim, foi depois de me doar e me doer tanto que eu percebi que não vale à pena. Não vale porque se uma pessoa te fere mais do que te cura, isso é doença e não felicidade, é câncer e não amor. Viver de anestesias, dor e mais anestesias é sobreviver e só. Me recuso.Coração vazio e sorriso cheio, que assim seja. Os arranhões já não me doem, cada decepção eu levo como vacina. Dessa vez prometo não me abandonar, me deixar de lado ou me diminuir por ninguém nesse planeta. Se não tiver jeito, posso até me emprestar, me dividir quem sabe, mas me perder nunca mais. Agora é assim, primeiro eu, quem não gostar das regras, não joga. Tô feliz, acredita ? Olha só a ironia, fui buscar o amor e já tinha, fui tentar ser feliz e já era, fui tentar me encontrar e me perdi. E, que loucura, precisei me perder pra me valorizar.
sábado, 25 de fevereiro de 2012
Diz a música
Sem você eu não vivo, diz a música. Nem com você eu tenho vivido. Esse conceito de vida é muito estranho mesmo. Vê a graça que é viver sem ninguém. Tem? Nem tem. E com alguém? Depende. Só se for pra fazer muitas coisas. Mas aí, amigo, é dádiva ou castigo. E é pra toda vida. E como viver? Aí vai querer mesmo viver sem ela. É um conflito. E a música perde todo o sentido. Ou faz uma música nova dizendo que "Sem você eu vivo sim". Ou não vive. Para de ouvir pagode ruim, ouvido poluído.
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
Amputações
Estamos falando de tudo que é nosso, mas que teve que deixar de ser na marra, em troca da nossa sobrevivência emocional.
Quando o filme 127 Horas estreou no cinema, resisti à tentação de assisti-lo. Achei que a cena da amputação do braço, filmada com extremo realismo, não faria bem para meu estômago. Mas agora que saiu em DVD, corri para a locadora. Em casa eu estaria livre de dar vexame. Quando a famosa cena se iniciasse, bastaria dar um passeio até a cozinha, tomar um copo d´água, conferir as mensagens no celular, e então voltar para a frente da TV quando a desgraceira estivesse consumada. Foi o que fiz. O corte, o tão famigerado corte, no entanto, faz parte da solução, não do problema. São cinco minutos de racionalidade, bravura e dor extremas, mas é também um ato de libertação, a verdadeira parte feliz do filme, ainda que tenhamos dificuldade de aceitar que a felicidade pode ser dolorosa. É muito improvável que o que aconteceu com o Aron Ralston da vida real (interpretado no filme por James Franco) aconteça conosco também, e daquele jeito. Mas, metaforicamente, alguns homens e mulheres conhecem a experiência de ficar com um pedaço de si aprisionado, imóvel, apodrecendo, impedindo a continuidade da vida. Muitos tiveram a sua grande rocha para mover e, não conseguindo movê-la, foram obrigados a uma amputação dramática, porém necessária. Sim, estamos falando de amores paralisantes, mas também de profissões que não deram retorno, de laços familiares que tivemos de romper, de raízes que resolvemos abandonar, cidades que deixamos. De tudo que é nosso, mas que teve que deixar de ser, na marra, em troca da nossa sobrevivência emocional. E física, também, já que insatisfação é algo que debilita. Depois que vi o filme, passei a olhar para pessoas desconhecidas me perguntando: qual será a parte que lhes falta? Não o “Pedaço de Mim” da música do Chico Buarque, aquela do filho que já partiu, mutilação mais arrasadora que há, mas as mutilações escolhidas, o toco de braço que tiveram que deixar para trás a fim de começarem uma nova vida. Se eu juntasse alguns transeuntes, aleatoriamente, duvido que encontrasse um que afirmasse: cheguei até aqui sem nenhuma amputação autoprovocada. Será? Talvez seja um sortudo. Mas é mais provável que tenha faltado coragem. Às vezes o músculo está estendido, espichado, no limite: há um único nervo que nos mantém presos a algo que não nos serve mais, porém ainda nos pertence. Fazer o talho sangra. Machuca. Dói de dar vertigem, de fazer desmaiar. E dói mais ainda porque se sabe que é irreversível. A partir dali, a vida recomeçará com uma ausência. Mas é isso ou morrer aprisionado por uma pedra que não vai se mover sozinha. O tempo não vai mudar a situação. Ninguém vai aparecer para salvá-lo. 127 horas, 2.300 horas, 6.450 horas, 22.500 horas que se transformam em anos.
Cada um tem um cânion pelo qual se sente atraído. E um cânion do qual é preciso escapar.
Quando o filme 127 Horas estreou no cinema, resisti à tentação de assisti-lo. Achei que a cena da amputação do braço, filmada com extremo realismo, não faria bem para meu estômago. Mas agora que saiu em DVD, corri para a locadora. Em casa eu estaria livre de dar vexame. Quando a famosa cena se iniciasse, bastaria dar um passeio até a cozinha, tomar um copo d´água, conferir as mensagens no celular, e então voltar para a frente da TV quando a desgraceira estivesse consumada. Foi o que fiz. O corte, o tão famigerado corte, no entanto, faz parte da solução, não do problema. São cinco minutos de racionalidade, bravura e dor extremas, mas é também um ato de libertação, a verdadeira parte feliz do filme, ainda que tenhamos dificuldade de aceitar que a felicidade pode ser dolorosa. É muito improvável que o que aconteceu com o Aron Ralston da vida real (interpretado no filme por James Franco) aconteça conosco também, e daquele jeito. Mas, metaforicamente, alguns homens e mulheres conhecem a experiência de ficar com um pedaço de si aprisionado, imóvel, apodrecendo, impedindo a continuidade da vida. Muitos tiveram a sua grande rocha para mover e, não conseguindo movê-la, foram obrigados a uma amputação dramática, porém necessária. Sim, estamos falando de amores paralisantes, mas também de profissões que não deram retorno, de laços familiares que tivemos de romper, de raízes que resolvemos abandonar, cidades que deixamos. De tudo que é nosso, mas que teve que deixar de ser, na marra, em troca da nossa sobrevivência emocional. E física, também, já que insatisfação é algo que debilita. Depois que vi o filme, passei a olhar para pessoas desconhecidas me perguntando: qual será a parte que lhes falta? Não o “Pedaço de Mim” da música do Chico Buarque, aquela do filho que já partiu, mutilação mais arrasadora que há, mas as mutilações escolhidas, o toco de braço que tiveram que deixar para trás a fim de começarem uma nova vida. Se eu juntasse alguns transeuntes, aleatoriamente, duvido que encontrasse um que afirmasse: cheguei até aqui sem nenhuma amputação autoprovocada. Será? Talvez seja um sortudo. Mas é mais provável que tenha faltado coragem. Às vezes o músculo está estendido, espichado, no limite: há um único nervo que nos mantém presos a algo que não nos serve mais, porém ainda nos pertence. Fazer o talho sangra. Machuca. Dói de dar vertigem, de fazer desmaiar. E dói mais ainda porque se sabe que é irreversível. A partir dali, a vida recomeçará com uma ausência. Mas é isso ou morrer aprisionado por uma pedra que não vai se mover sozinha. O tempo não vai mudar a situação. Ninguém vai aparecer para salvá-lo. 127 horas, 2.300 horas, 6.450 horas, 22.500 horas que se transformam em anos. Cada um tem um cânion pelo qual se sente atraído. E um cânion do qual é preciso escapar.
Texto de Martha Medeiros, comentando o filme 127 horas.
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
O botão errado
Rapaz, é assim mesmo. Você sabe que a opção certa é a B e você acaba escolhendo a C. Sabe que leite gelado faz o bolo ficar "solado" e mesmo assim o utiliza. É como contratar atacante que não faz gol. É como provar do caldo de cana daquela barraca que você já sabe que é amargo. Sabe-se que a dita cuja é inútil para cuidar das crianças e mesmo assim a delega tal função. Amigo meu, é como tacar alcool na brasa e não querer que ela se alastre. Taca o azul no amarelo para ver no que dá. Aperta o botão errado para ver no que dá.
Agora, cá entre nós, apertar o botão novamente para quê? Cornélio já tinha a sugestão em seu nome pecaminoso. Casou-se com Terezinha Corrimão. Não farei mais delongas na história. Entenda. Se a fruta é adúltera porquê motivo, razão ou circunstância o moribundo vai casar-se com a penduradora de objetos bem identificados nas testas alheias? Porque tu, comerciante de cada esquina, vai permitir o famoso fiado se a dona pomposa não pagou os últimos três meses de dívida?
Chuta com a perna do joelho ruim? Duvido. Visita a sua amiga e ao entrar novamente na casa dela escutando novamente a famosa frase do "não se preocupe, ele não morde, é treinado" depois de um dia ter sido mordido. Vai confiar? Vai confiar no último mentiroso? Vai confiar na metereologia que diz que fará sol justo no dia que tanto chove?
Canalha daqueles que tem a cara de pau ou a ausencia de amor próprio para mesmo assim confiar na opção que se fez convicta de errada. Mas se o cara quer casar-se com ela, deixa. Vai ver é por amor. Se quer confiar no último mentiroso, deixa. Vai ver o cara se redime. Mas eu, particularmente, não tenho ingredientes sobrando para tentar fazer o bolo outra vez, nem esperarei algumas das crianças caírem do sétimo andar para atestar que a mulher não é cuidadosa com as infelizes. Não vou apertar o botão errado uma vez mais. Você quer apertar o botão errado por mais esses anos? Então não reclame. Um dia restará o último fósforo no meio do nada, com frio e solitário. Vai arriscar a última chance? Vou apertar o botão que nunca apertei mas não aperto o que já deu errado. Ah, claro. Ainda temos que saber que entre saber qual o botão errado e não saber qual é o botão certo corre um oceano de piranhas disfarçadas de peixe nobre e tubarões disfarçados de golfinhos dóceis. E olha que vivo em um país no qual as pessoas tem vocação para sofrer e serem felizez assim mesmo. Vá entender
Agora, cá entre nós, apertar o botão novamente para quê? Cornélio já tinha a sugestão em seu nome pecaminoso. Casou-se com Terezinha Corrimão. Não farei mais delongas na história. Entenda. Se a fruta é adúltera porquê motivo, razão ou circunstância o moribundo vai casar-se com a penduradora de objetos bem identificados nas testas alheias? Porque tu, comerciante de cada esquina, vai permitir o famoso fiado se a dona pomposa não pagou os últimos três meses de dívida?
Chuta com a perna do joelho ruim? Duvido. Visita a sua amiga e ao entrar novamente na casa dela escutando novamente a famosa frase do "não se preocupe, ele não morde, é treinado" depois de um dia ter sido mordido. Vai confiar? Vai confiar no último mentiroso? Vai confiar na metereologia que diz que fará sol justo no dia que tanto chove?
Canalha daqueles que tem a cara de pau ou a ausencia de amor próprio para mesmo assim confiar na opção que se fez convicta de errada. Mas se o cara quer casar-se com ela, deixa. Vai ver é por amor. Se quer confiar no último mentiroso, deixa. Vai ver o cara se redime. Mas eu, particularmente, não tenho ingredientes sobrando para tentar fazer o bolo outra vez, nem esperarei algumas das crianças caírem do sétimo andar para atestar que a mulher não é cuidadosa com as infelizes. Não vou apertar o botão errado uma vez mais. Você quer apertar o botão errado por mais esses anos? Então não reclame. Um dia restará o último fósforo no meio do nada, com frio e solitário. Vai arriscar a última chance? Vou apertar o botão que nunca apertei mas não aperto o que já deu errado. Ah, claro. Ainda temos que saber que entre saber qual o botão errado e não saber qual é o botão certo corre um oceano de piranhas disfarçadas de peixe nobre e tubarões disfarçados de golfinhos dóceis. E olha que vivo em um país no qual as pessoas tem vocação para sofrer e serem felizez assim mesmo. Vá entender
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
Pinóquio ainda quer ser gente ?
Os bonecos não tem mais inveja nenhuma dos humanos. Os robôs, em outros filmes, por alguma falha no sistema (quer coisa mais humana que uma falha?) passavam a querer ter desejo ou, melhor ainda, desejavam ter desejo. Desejavam poder ter o gosto de um tempero espanhol, ter preguiça de que acordar cedo amanhã de manhã, pular do farol, ter a emoção de um gol no final. Mas imagina agora se algum desses vai querer ser humano. É gente que mata, gente que muito mente, gente que muito rouba, gente com muito rancor, gente que nem é gente mas é muita gente. Aí o Pinóquio vai querer ter um coração para quê? A Fada Azul ficaria roxa de vergonha e nem perdoaria esse meu trocadilho desumano. Aqui estão um boneco de madeira, uma fada, um robô. Estes parecem ser seres mais interesantes que o que eles querem ser. Humanos? Gente? Pessoa assim como a gente vê? Mas os humanos, afinal, só devem estar querendo uma coisa: ser robôs. E nem isso eles podem ser. E Pinóquio, boneco de madeira que queria ser gente, hoje em dia provavelmente não teria a menor vontade.
sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
Lição do dia
Como de rotina, perdi a hora, peguei o metrô lotado pra vir pro trabalho de ressaca ainda por cima pensando... QUE MERDA DE DIA QUE EU TÔ TENDO. Quando na saída do metrô eu espero ansiosa pra que o sinal feche logo e eu consiga atravessar a rua, afinal de contas eu estava atrasada. E nessa fração de minutos em que eu esperava um carro estaciona na calçada em que eu estava, dentro de carro tinham 3 idosos, o homem abriu o porta malas e tirou dali uma cadeira de rodas, uma senhora saiu do banco de tras e abriu a porta do carona, onde havia outra idosa, com deficiência. Sem muito sucesso enquanto o homem segurava a cadeira de rodas a mulher tentava tirar a senhora do banco para a cadeira.. e como eu disse, não conseguiam, e aquilo realmente me incomodou, e ntão me ofereci pra ajudar .. com a idosa já na cadeira de rodas o homem virou pra mim e disse "Obrigado filha, eu sofri um infarto tem menos de 2 meses e não posso fazer esforço, você apareceu como um anjo aqui " isso dentro outros milhares de elogios que eu recebi, e na minha cabeça eu tinha pra mim que eu não tinha feito nada além do meu dever... me despedi e virei, quando virei ele tocou meu braço e disse a seguinte frase " Quem não vive pra servir, não serve pra viver " e me desejou um ótimo dia. Enfim, atravessei a rua, e na caminhada até o trabalho vim questionando, porque uma atitude tão simples, merece tanto agradecimento? Tinha diversas outras pessoas na calçada esperando para atravessar e ninguém tinha notado o que tava acontecendo? Foi quando eu cheguei a conclusão que a geração em que vivemos é egoísta, onde todos só conseguem ver seus próprios interesses e necessidades, e não conseguem enxergar além, ver a necessidade do próximo... Cheguei a conclusão que somos uma geração surda, que não tem interesse em ouvir dos mais velhos os ensinamentos que eles tem, que prefere aprender com os erros do que seguir conselhos... Cheguei a conclusão que vivemos em uma geração que se auto destrói. Não é normal o mundo que vivemos, onde as pessoas não sabem o que é ter compaixão, onde um pai joga uma filha da janela, onde uma criança é arrastada por quilometros... uma sociedade que não respeita o próprio lugar onde vive.
Eu ganhei meu dia ajudando aquelas 3 pessoas, minha ressaca passsou, meu humor melhorou... Será que falta muito pro resto do mundo ver que existe o resto do mundo?
Fica a duvida .
Eu ganhei meu dia ajudando aquelas 3 pessoas, minha ressaca passsou, meu humor melhorou... Será que falta muito pro resto do mundo ver que existe o resto do mundo?
Fica a duvida .
terça-feira, 6 de dezembro de 2011
No mês internacional da troca...
No mês internacional da troca tem casal realizando o desejo erótico reprimido. Tem gente que nem sequer fica no empate, quer trocar de parceiro definitivamente.Tem gente trocando a dama pelo cavalo, vê se pode. Tem gente trocando um montão por trocado. Tem gente que tem trocado uma de 40 por duas de 20.
Trocaram tiros, trocaram farpas, trocaram passes, trocaram biscoitos, trocaram o uniforme no final do jogo, trocaram sal por açucar no café e na pipoca, distraído. Trocaram de carro anteontem; trocaram de casa ano passado; trocaram de mesa; trocaram a comida fria e limpa pela comida quente e cuspida. Bem feito.
Pois tem gente que troca globo por record; que troca a micareta por um só; que troca Paquetá por Marajó. Tem gente trocando o doze anos por leite; o MC por DJ; o DJ por VJ; e o VJ por qualquer modelo mesmo. Tem gente então que troca modelo por gordinha; a rúcula por coxinha;Ana Hickman por baixinha; a paz por faxina.
Já trocaram o Papai Noel pelas camisas brancas de reveillon; o São Paulo pelo Flamengo no coração; o sapato pelo chinelo novo; o jazz pelo carnaval; a primavera pelo verão; o assado pelo cozido; só não trocaram ainda meu nome porque a numerologia não permitiu. Trocaram as bolas do meu bilhar; as asas da minha imaginação; trocaram o beijo pelo aperto de mão. Trocaram de lado os inimigos; trocaram de laços os amigos; amigos que trocaram abraços por beijos. Tem gente que já trocou o lado de cá por inverso; trocou o prédio pelo brejo; a Avenida 25 de Março pelo interior do Espírito Santo.
Tem gente que troca os pés pelas mãos; os "sims" pelos "nãos"; mas o talvez impera. No mês internacional da troca dos presentes que não serviram no dia 24 a noitinha, eu não to querendo trocar nem olhares. Porque os meus presentes sempre são sob medida. Meu último, e em 18 anos o meu melhor, presente foi você.
Trocaram tiros, trocaram farpas, trocaram passes, trocaram biscoitos, trocaram o uniforme no final do jogo, trocaram sal por açucar no café e na pipoca, distraído. Trocaram de carro anteontem; trocaram de casa ano passado; trocaram de mesa; trocaram a comida fria e limpa pela comida quente e cuspida. Bem feito.
Pois tem gente que troca globo por record; que troca a micareta por um só; que troca Paquetá por Marajó. Tem gente trocando o doze anos por leite; o MC por DJ; o DJ por VJ; e o VJ por qualquer modelo mesmo. Tem gente então que troca modelo por gordinha; a rúcula por coxinha;Ana Hickman por baixinha; a paz por faxina.
Já trocaram o Papai Noel pelas camisas brancas de reveillon; o São Paulo pelo Flamengo no coração; o sapato pelo chinelo novo; o jazz pelo carnaval; a primavera pelo verão; o assado pelo cozido; só não trocaram ainda meu nome porque a numerologia não permitiu. Trocaram as bolas do meu bilhar; as asas da minha imaginação; trocaram o beijo pelo aperto de mão. Trocaram de lado os inimigos; trocaram de laços os amigos; amigos que trocaram abraços por beijos. Tem gente que já trocou o lado de cá por inverso; trocou o prédio pelo brejo; a Avenida 25 de Março pelo interior do Espírito Santo.
Tem gente que troca os pés pelas mãos; os "sims" pelos "nãos"; mas o talvez impera. No mês internacional da troca dos presentes que não serviram no dia 24 a noitinha, eu não to querendo trocar nem olhares. Porque os meus presentes sempre são sob medida. Meu último, e em 18 anos o meu melhor, presente foi você.
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
Substitutos

Claire:Você e eu temos um talento especial, e eu percebi isso imediatamente!
Drew: Diga-me.
Claire: Nós somos pessoas substitutas...
do filme Tudo Acontece em Elizabethtown
" E assim que vi este diálogo percebi que no mundo existem vários tipos de pessoas, mas existe um grupo de pessoas com um dom especial de serem pessoas substitutas. Pessoas que preenchem lacunas na vida de outras pessoas, que preparam esta pessoa para a chegada de alguém, apoiam durante a ausência de alguém, ou ainda ajudam alguém a atravessar uma fase. Mas como saber se você é uma pessoa substituta? Bem, existem algumas considerações que você deve pensar sobre:
* Você se sente confortável com a solidão?
* Frequentemente as pessoas lhe procuram pedindo ajuda ou conselhos?
* As pessoas geralmente se apoiam em você e você se torna um porto seguro em um momento difícil, e você ajuda a pessoa a superar aquela fase? E depois que aquela fase difícil passa essa pessoa se vai.
* As pessoas dizem que são seus melhores amigos, mas você nunca é a primeira opção na vida daquelas pessoas?
* Você é impossível de ser esquecida, mas difícil de ser lembrada?
* Frequentemente você se encontra só esperando que algo aconteça?
* Você não consegue passar muito tempo dentro de um relacionamento, e tem pequenos relacionamentos com muita intensidade no começo que se apagam como uma vela ao vento?
Bem, se você respondeu "sim" a todas as questões acima não quer dizer que você seja uma pessoa substituta, existe uma questão essêncial ainda. A questão que uma pessoa substituta sabe que é uma pessoa substituta, sem ninguém precisa dizer a ela... Hum! Na verdade este modo de pensar é só um jeito simpático de te recolocar em órbita. Se você disse "sim" a todas as questões acima provavelmente você se encontra deslocado, então dizer que tudo isto na verdade faz parte de um dom ou um talento muito especial é só um jeito de lhe confortar, mas isto não pode fazer você estagnar. Na verdade este é um convite muito especial. Se você se acha uma pessoa substituta então significa que você recebeu um convite da vida para ser você mesma, para seguir em frente sendo você mesma, porque você não aceita ser diferente para se enquadrar a realidade ao seu redor. Você interage com tudo mas não aceita tudo.
Talvez mudar para se adaptar seria mais fácil, você viveria uma vida adaptada assim como quando pegam um livro e o adaptam ao cinema, é legal, fica bom, mas quem conhece o livro sabe que o filme nunca é tão bom assim, falta detalhes, falta vida. E no final parece que uma pessoa substituta é um protagonista que age como coadjuvante da sua própria vida. Então hoje fica um convite especial a todas as pessoas substitutas do mundo. Assumam o controle sobre sua vida, continuem a realizar coisas na vida dos outros, mas comecem a realizar coisas em sua própria vida. "
créditos ao Blog http://blah-no-more.blogspot.com
Embora eu tenha ADORADO o texto, discordo em alguns pontos . Não acredito que devemos mudar pra nos adaptar a algum lugar e sim procurar o lugar onde nos sentimos bem. E ainda digo que todo mundo algum dia vai ser uma pessoa substituta, faz parte das coisas da vida. Tem pessoas que são passageiras, como diz o texto só estão ali pra suprir uma falta, ou doar o ombro... Mas todo mundo um dia se torna permanente também. Por isso repito que não acredito no fato de termos que nos adaptar, acredito que o mundo hoje se importa muito com o externo, com o que vão pensar a respeito, se vão gostar ou não, se está na moda e nessa de se deixar levar por estereotipos é que muita gente perde a própria essencia. Se todo mundo parar e olhar pra dentro de si, vai ver que no minimo em 3 das questões citadas no texto a resposta é sim. Porque como eu disse, é a vida. Todos somos substitudos, passageiros e permanentes. Se encontrar, saber sua real essencia é ser os três e ainda ser você . É saber o que deve ser passageiro na vida, pra quem vale a pena você ser uma pessoa substituta e escolher bem quem ou 'quens' você quer ter como permanente. Você não pode escolher ou mudar o fato de ser ou não uma pessoa substituta, em algum momento você simplesmente será.
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terça-feira, 8 de novembro de 2011
O papel tem mais paciência que as pessoas
" 'O papel tem mais paciência que as pessoas'. Pensei nesse ditado num daqueles dias em que me sentia meio deprimida e estava em casa, sentada com o queixo apoiado nas mãos, chateada e inquieta, pensando se ficaria ou sairia. Finalmente fiquei onde estava matutando. É, o papel tem mais paciência, e como não estou planejando deixar que ninguém mais leia esse caderno de capa dura que geralmente chamamos de diário, a não ser que algum dia encontre um verdadeiro amigo, isso provavelmente não vai fazer a menor diferença."
pg 16 do Livro " O Diário de Anne Frank "
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